Introdução

Para dar início à temporada Animal Allies, nós exploramos mais de 4 problemas da nossa região, realizando pesquisas com fundações, por exemplo a Fundação Serra do Japi, sites, por exemplo, Veja, Ecycle, Ina, além de artigos da Unicamp, especialistas da prefeitura de Jundiaí e diversas outras fontes de pesquisa.

Elencamos então os maiores problemas que os animais sofrem e que também afetam os humanos e fizemos artigos sobre eles, baseando-se nas pesquisas pré- temporada:

  • Poluição luminosa: excesso de luminosidade que as cidades emitem, cujo as consequências principais envolve desorientação de pássaros, desorientação de animais marinhos além de expor mais as presas.
  • Atropelamento de animais em rodovias: rodovias mal planejadas que afetaram o habitat dos animais, causando milhões de mortes de espécies de animais silvestres por ano, nas rodovias brasileiras, podendo ser responsáveis até pela extinção de alguns animais.
  • Desaparecimento das abelhas: desaparecimento de boa parte da população das abelhas devido ao uso dos pesticidas neonicotinóides, que são pesticidas à base de nicotina absorvidos pelas plantas e ingerido pelas abelhas, causando desorientação às mesmas para voltar as colmeias, fazendo com que elas desapareçam.
  • Dejetos de animais em locais públicos: falta de gestão pública  para lidar com dejetos de animais em locais como praças e parques.

Todos são problemas mal resolvidos ou que as pessoas sequer estão cientes sobre, o que nos levou a realizar pesquisas de campo com a população, para decidirmos qual problema tentar solucionar.

Identificação do problema

De acordo pesquisas de campo que citavam cada problema que estudamos, realizadas com pessoas de diversos lugares do Brasil, foi possível constatar que 47% dos entrevistados não estavam cientes sobre o desaparecimento dos polinizadores e além disso, 67% da população preferiu que tentássemos solucionar tal problema.

A pesquisa de campo nos influenciou muito sobre o problema que deveríamos trabalhar, mas além disso, analisamos outros fatores que seriam fundamentais na hora de determinar o problema, como por exemplo, não pegar um tema muito abrangente, como a poluição luminosa, porque a imensidão deste tema poderia dificultar muito na hora de elaborar a pesquisa; outro exemplo é fazer uma estimativa da quantia que provavelmente poderia ser gasta com este projeto, e se chegar ao ponto que se torna quase inviável, decidimos não trabalhar com ele, um caso parecido seria o problema da rodovias.

Artigos da Unicamp², da Universidade do Ceará¹, apostilas educacionais, dentre outras fontes e o apoio de algumas campanhas como “Sem Abelha Sem Alimento”⁴, nos guiaram para entender a relação das abelhas com os humanos, o problema do desaparecimento dos polinizadores e suas possíveis consequências.

A principal relação da abelha com o humano é indireta, e se dá quando a abelha poliniza as culturas agrícolas das quais nos alimentamos, além de auxiliar no plantio das mesmas quando fazem dispersão de sementes. Ou seja, sem as abelhas africanizadas, as quais estão desaparecendo, nós não temos alimentos, sequer teríamos boa parte das culturas agrícolas que hoje temos.

Esses animais são muito importantes para a nossa sobrevivência e para o nosso desenvolvimento, e infelizmente vêm desaparecendo devido a aplicação de pesticidas neonicotinóides em algumas das plantações que polinizam. Existem três tipos de Neonicotinóides, porém o que mais prejudica as abelhas é o Clotianidina, devido a quantia de nicotina, e outras substâncias que o compõe. Um exemplo do tamanho mal que ele faz é um acontecimento da França, onde uma plantação de soja que continha Clotianidina esteve relacionada ao desaparecimento de abelhas, onde 99% das abelhas que foram encontradas e mortas, tinham neonicotinóide no organismo.

Baseando-se nas nossas pesquisas de campo, em diversas fontes de pesquisas como Abril, Galileu e especialistas, como a Luana Maretti, técnica em gestão da prefeitura de Jundiaí, dentre outras fontes de informação.

Análise do problema

Para termos certeza sobre o problema do desaparecimento dos polinizadores, buscamos analisar as possíveis consequências que já estão ocorrendo e as possíveis, caso ele continue progredindo, buscamos analisar o porquê dele,contatamos especialistas do assunto e analisamos todas as estatísticas possíveis, além de elaborar um processo de pesquisa que contém toda esta análise.

“Há uma série de razões que explicam o declive, como a mudança do uso do solo, o uso de pesticidas e a mudança climática. Não se pode dizer que há uma ameaça maior que outra para cada animal polinizador ou para cada lugar do mundo onde estão desaparecendo. É um conjunto de ameaças”, disse o vice-presidente¹².

A drástica diminuição das populações de abelha no mundo, começou na década de 1990 – mesmo período em que os neonicotinóides entraram no mercado. Nos últimos anos, houve um declínio de aproximadamente 50% das colméias e além disso, um artigo publicado na Nature comprova que neonicotinóides, prejudicam as populações de abelhas.

Segundo o Professor Lionel (USP)¹⁹, no Brasil está ocorrendo uma eliminação massiva de abelhas devido principalmente ao uso indiscriminado de pesticidas, em especial os pesticidas sistêmicos neonicotinoides, já havendo mais de 15 estados brasileiros com ocorrências de mortes de abelhas. Embora as mortes já tivessem sendo denunciadas na mídia há vários anos, estas ocorrências estão sendo possíveis agora através do uso de um aplicativo que foi desenvolvido em 2013. O  BEE ALERT já registrou , desde 2013, inúmeras  ocorrências de mortes com registros de mais de 18.000 colônias de abelhas eliminadas devido principalmente ao uso de pesticidas. Apenas este  número, ao ser multiplicado por 60.000 abelhas de uma colônia representam 1 bilhão de abelhas mortas¹⁹.

Mas por que ainda utilizam os neonicotinóides?

Os neonicotinóides são uma classe de pesticidas que estão quimicamente relacionados com a nicotina. Eles são absorvidos pelo sistema vascular da planta e são liberados através das gotas de pólen, néctar e água que as abelhas se alimentam. São de interesse particular por ter efeito cumulativo e subletal sobre as abelhas e outros insetos polinizadores. Estes efeitos incluem transtornos do sistema neurológico e imunológico refletidos aos sintomas observados nas mortes de abelhas.

São produtos com um custo baixo, de 20 reais por hectare e com uma “boa eficácia”, favorecendo os agricultores, mas prejudicando a natureza e o próprio homem:

  • Os pesticidas apresentam atividades enzimáticas que atuam fisiologicamente no olfato e na memória das abelhas, causando problemas nas atividades como navegação e orientação.
  • Por serem produtos altamente tóxicos, contaminam o solo, além de apresentar uma grande quantidade de produtos químicos, absorvidos pelas plantas.

A relação que o homem possui com a abelha africanizada é imensa, e não apenas o homem, mas toda a espécie de vida no planeta. Segundo a campanha e site Bee or not to Be, sem as abelhas, tanto a renovação das matas e florestas, como a produção mundial de frutas e grãos ficariam comprometidas, pois esses “animaizinhos” são os responsáveis pela polinização, que é o processo que garante a produção de frutos e sementes e a reprodução de diversas plantas, sendo um dos principais mecanismos de manutenção e promoção da biodiversidade na Terra. Ou seja, o equilíbrio  dos ecossistemas e da biodiversidade sofreria um sério impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de diversas maneiras²³:

  • Das espécies conhecidas de plantas com flores, cerca de 88% dependem, em algum momento, de animais polinizadores. Mais de 3/4 das espécies utilizadas pelo homem na produção de alimentos dependem da polinização para uma produção de qualidade e quantidade;
  • Estima-se que os serviços ecossistêmicos da polinização correspondam a cerca de 10% do PIB agrícola, representando a incrível cifra superior a U$ 200 bilhões/ ano, no mundo;
  • Cerca de 85% das plantas com flores presentes nas matas e florestas da natureza, dependem, em algum momento, dos polinizadores para se reproduzirem. Sendo assim, as abelhas cumprem um papel imprescindível, verdadeiros “cupidos da natureza”, transportando o pólen entre as plantas, e garantindo assim a variação genética tão importante ao desenvolvimento das espécies, o equilíbrio dos ecossistemas, e a reprodução das espécies;
  • Contribuem para que existam plantas suficientes para a produção de parte do oxigênio vital para toda a forma viva em nosso planeta;
  • Cerca de 70% de todas as culturas agrícolas dependem dos polinizadores e estima-se que 1/3 de todos os alimentos que chegam à nossa mesa tenha alguma dependência dos polinizadores para serem gerados.

Os tipos de neonicotinóides

Atualmente, produzidos pela empresa Bayer, existem três pesticidas dessa classe, os dois mais utilizados são o Imidacloprid e o Clotianidina.

Os pesquisadores descobriram que o inseticida neonicotinóide clotianidina pode aumentar os níveis de proteína específica nas abelhas e afetar negativamente a resposta do sistema imunológico além de torná-las mais suscetíveis de serem atacadas por vírus e patógenos prejudiciais.

A maioria do milho e da soja geneticamente modificados são tratados com pesticidas neonicotinóides e, recentemente, mais de 37 milhões de abelhas caíram mortas no Canadá depois que grandes campos de milho transgênico foram plantados e tratados com a substância. Este é o mais nocivo aos polinizadores, um dos mais famosos e é utilizado nas plantações de milho, soja, algodão e feijão₁₅.

Fontes de pesquisa

Artigos:

  • Universidade Federal do Ceará¹;
  • Universidade Federal de Campinas²;
  • Embrapa³;
  • Carreck, Norman L⁴.

Sites:

  • Exame⁵;
  • Ecycle⁶;
  • Vestibular Uol⁷;
  • MFRural⁸;
  • IdeiaWeb⁹;
  • Bioglobal¹⁰;
  • Blog Tudo Sobre Plantas¹¹;

Revistas:

  • Revista Nature¹²;
  • Galileu¹³.

Institutos:

  • Livraria Pública de Ciências (PLOS) dos Estados Unidos¹⁴;
  • Centro Internacional de Biotecnologia e Informação₁₅;
  • Plataforma Ciência e Política Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ambientais¹⁶;
  • IBAMA¹⁷.

Especialistas:

  • Luana Maretti, técnica em gestão (prefeitura de Jundiaí)¹⁸;
  • Prof Lionel Segui Gonçalves (USP, embaixador Sem Abelha, Sem Alimento)¹⁹;
  • Arthur de Castro, engenheiro agrônomo²⁰;
  • Sérgio Vilela, agropecuarista²¹;

Apostila Educacional:

  • Serviço Nacional de Aprendizagem Rural²².

Campanhas:

  • Sem Abelha, Sem Alimento²³;
  • SOS Abelhas sem ferrão²⁴.

Soluções existentes

Existem pessoas tentando solucionar o atual problema e/ou tentando nos conscientizar sobre isso. Em tal contexto, as soluções que existem atualmente e que poderiam ajudar a resolver o problema dos polinizadores são:

  • Pesticidas naturais: Os inseticidas naturais são ótimas alternativas, pois o seu custo de produção em relação aos agrotóxicos é bem mais baixo, são facilmente degradáveis e não deixam resíduo no meio ambiente. O Azact CE, é um pesticida formulado com Azadiractina, de eficácia comprovada no controle de três insetos diferentes. O problema que encontramos em relação à este pesticida é que a sua concentração é baixíssima, fazendo com que ele atinja pragas apenas das plantações de tomate e feijão.

 

    • Campanhas: Atualmente existem milhares de campanhas para tentar solucionar o problema do desaparecimento dos polinizadores, que te influenciam a não utilizar pesticidas, preservar os habitats das abelhas, assinar petições para proibir o uso de agrotóxicos e que ajudam a divulgar o problema no mundo. Por exemplo, a “Sem Abelha, Sem Alimento”, “Campanha das Abelhas” e “Abelhas sem ferrão”. Com o lema principal: Bee or not to Be?
  • Leis e petições: Os neonicotinóides já estão proibidos em países europeus. O determinaram a imediata suspensão da aplicação de diversos neonicotinóides no tratamento de sementes. O governo italiano iniciou um programa de avaliação e monitoramento das causas do recente colapso de colônias, matando milhões de abelhas.
  • Aplicativo Bee Alert: Uma plataforma criada para que os apicultores e a comunidade científica registrem ocorrências de desaparecimento ou morte de abelhas, contribuindo para a identificação de sua causa e a criação de um senso sobre elas.

 

O ideal seria a criação de pesticidas naturais que não afetam polinizadores, novas maneiras de tratar as plantações ou quaisquer outras maneiras que ajudem ou não envolvam os mesmos.

Solução Inovadora: Bioprotetor Natural Melactina

Pesticidas naturais apresentam maior vantagem sobre os sintéticos, e devem ser utilizados como alternativa viável no controle de pragas, acarretando menos prejuízos à fauna dos insetos benéficos. Baseando-se nisso direcionamos nossa pesquisa à uma substância retirada das árvores conhecidas por Mellia Azadirachta, da família Meliaceae, a Azadiractina. Criamos um bioprotetor natural, com essa substância.

Para compreendermos melhor a nossa solução inovadora, é necessário conhecer a Mellia Azadirachta:

A planta é mais conhecida como Nim, sabe-se que existe muita variedade desta planta e que para o uso contra pragas é necessário uma certa concentração do extrato das folhas e/ou do óleo das sementes. A substância mais poderosa dessa árvore quando o assunto é pesticida, é o Azadiractina. Ele produz diferentes efeitos sobre os insetos, como repelência, esterilidade, desorientação na oviposição, efeito letal, regulador do crescimento, entre outros.  Azadiractina não causa a morte do inseto imediatamente, dado o seu efeito fisiológico, porém, além de afetar a ecdise, reduz o consumo de alimento, retarda o desenvolvimento, repele os adultos e reduz a postura nas áreas tratadas.

Como utilizar o Nim?

É necessário obter um extrato da planta. Os extratos podem ser preparados com a simples trituração das sementes ou frutos frescos, em água, deixando-se a mistura descansar por 12 horas e filtrando-se o líquido e pulverizando-se sobre as áreas infestadas. O mesmo procedimento pode ser usado para folhas, frescas ou secas. O óleo inseticida é extraído pela prensagem das sementes. A torta restante é muito rica em azadiractina, tem efeito e serve como adubo orgânico. Sendo assim, a árvore que contém tal substância não será agredida para a extração, pois é um “material” renovado pela Melliacea, com frequência.

É possível fazer uma plantação dessa árvore?

Sim, mas deve-se tomar cuidado com o espaço entre sementes e outros fatores. O espaçamento recomendado para o plantio do nim é variável, já que o desenvolvimento da planta depende das condições de solo e clima, sendo necessário que toda a copa receba a luz do sol. Assim o espaçamento deve permitir boa insolação. No Brasil recomenda-se de 5 a 8 m entre árvores, com o maior espaçamento nas regiões mais quentes.

Por que trabalhar com o Nim?

O Nim tem o mesmo efeito que os produtos químicos inseridos nos Neonicotinóides, porém, por ser natural não apresenta riscos de contaminação dos solos, além de ter um custo baixo e uma boa eficácia.

A nossa solução: Bioprotetor Natural Melactina

O nosso projeto é um bioprotetor natural, que protege plantações de soja, milho, algodão e feijão (plantações tratadas com o pesticida neonicotinóide Clotianidina) sem afetar as abelhas e que possa substituir os pesticidas químicos.

Por isso decidimos trabalhar com o Azadiractina, que de acordo com o Artigo da Universidade de Viçosa, em até 0,5% de concentração da substância natural não afeta as abelhas e pode controlar as pragas das plantações especificadas acima. Modificamos o pesticida natural Azact CE em relação a concentração do óleo de Nim que contém 0,2%, onde acrescentamos a substância. Ou seja, modificamos um pesticida natural, fazendo com que ele atinja as pragas de plantações tratadas com Neonicotinóide, possibilitando a substituição do produto químico pelo natural.

Por que substituir os Neonicotinóides?

É importante fazer a substituição dos produtos para não causar consequências negativas à população desde financeiramente, até na questão de sobrevivência, pois a proibição de pesticidas significa o aumento de pragas e consequentemente, diminuição da produção agrícola. Então, substituir um produto ruim, por outro com inúmeras consequências positivas, é o ideal.

Implementação e Custo

O seu preço é de R$11,40, para ser utilizado num espaço de 250m², sendo 5L do produto.

O preço foi estabelecido, passando por cinco “fases”:

1º- Procuramos o preço da água. A Sabesp (saneamento básico no Estado de São Paulo, distribuidora de água de SP) estima que cada 5L de água custam R$0,1.

2º- Estimamos o preço da Azadiractina. Se 1L de Azadiractina custa R$57,00 e precisamos apenas de 0,5% ml/litro água, fizemos os cálculos e concluímos que o preço da substância é de R$ 2,85.

3º- Decidimos o tipo de embalagem e calculamos uma média de seu preço. O galão de plástico, de 5L custa em  média R$ 7,34.(R$ 4,50 + R$ 2,20 + R$ 4,00 + R$ 13,00 + R$ 13,00 = R$ 36,70 / 5).

4º- Acrescentamos a porcentagem de lucro e impostos. É adicionado 12% do preço, para pagar impostos, o que equivaleria a R$ 1,20, se somarmos os resultados acima.

5º Calculamos R$ 2,85 + R$ 0,1 + R$ 7,34 + R$ 1,20, e obteremos como resultado R$ 11,40. O preço do nosso produto.

O bioprotetor será enviado para análise química e será testado.

Compartilhamento

“O conhecimento não é pra ser guardado a sete chaves e sim pra ser compartilhado, dividido, pois conhecimento guardado é igual dinheiro num cofre, perde o valor e não rende nada.” –Lindomar Batista

Para um melhor aproveitamento, compartilhamos o nosso projeto com muitas pessoas que podem se beneficiar com o mesmo. Desde especialistas e agricultores, até a comunidade:

  1. Professor Lionel, fundador da Campanha “Sem Abelha Sem Alimento”;
  2. Sergio Vilela, agropecuarista;
  3. Olga Gottardo, bióloga;
  4. Arthur de Castro, engenheiro agrônomo;
  5. Empresa AGROVANT;
  6. Blog de compartilhamento, www.thinkteam.com.br;
  7. Facebook.